quinta-feira, outubro 30, 2008

Câmbio de 2 Bossas

Todos nós já ouvimos histórias rocambolescas envolvendo pessoas que foram a países do Norte de África com a namorada/filha/mulher/amiga e que, às tantas, foram confrontados com uma oferta deveras bizarra:

- “Ofereço X camelos pela tua namorada/filha/mulher/amiga”

Naturalmente ninguém aceita semelhante troca e acaba sempre por voltar ao Ocidente sem os ditos animais de 2 bossas.

Agora as minhas questões:

1. Quando esta história nos é contada geralmente falamos em grandes quantidades de camelos, isto é, o dito Árabe que cobiça a nossa namorada/filha/mulher/amiga não faz a coisa por menos e lança logo um número bem grande, estilo 200 ou 500 camelos. Nunca faz uma oferta mais modesta de 4 ou 5. Logo implica que o cavalheiro tem de ter os bichos guardados em algum lado. Será que a malta lá tem um curral onde guarda aos 2000 ou 3000 camelos de cada vez à espera de um Europeu que aceita semelhante troca? É que assim sendo tem de ser uma coisa em grande. E a despesa que isso dá?!? Tudo bem que os animais são poupados no que toca ao consumo de água, mas aquela bicharada toda a comer ainda dá alguma despesa. Compensa assim tanto manter essa criação de camelos com a esperança que um dia alguém aceite a proposta?

2. Sempre ouvi dizer que os Árabes são bons para negociar, mas esta é uma oferta que a meu ver não tem grande viabilidade. Passo a explicar…. Supondo que há um tipo que se sente interessado pelo negócio… é obrigado a desistir quanto mais não seja por uma questão de logística, isto é, como é que ele traz 500 camelos de volta? De avião? De barco? E a despesa disso tudo? (já para não falar no que é que ele iria fazer aos bichos). Por outro lado era lindo que alguém aceitasse. Imaginem a cena, o tipo chega a casa e pergunta o filho: “então pai que tal a viagem a Marrocos com a mãe e a mana?”; responde o pai: “correu lindamente, visitámos imensas coisas, conhecemos muito da cultura e no fim fomos a um mercado onde as vendi a um comerciante por 800 camelos. Embarquei-os em Marraquexe e chegam na segunda feira ao Porto de Sines”.
Já para não falar na delícia que seria um gajo ter uma moradia em Odivelas cheia de camelos no quintal.

3. Por falar em despesa há ainda outra questão a meu ver… é que se um Árabe faz uma oferta de 300 camelos por uma qualquer Carina aquilo tem de ser traduzir num valor qualquer. Isto é, tem de haver um valor monetário associado ao camelo. Será que nesses países existe uma taxa de câmbios como aquelas que vemos nos bancos com a taxa Camelo=EURO? Assim era mais fácil fazer contas.

4. Finalmente…. last but not least… Supondo que no lugar de uma acompanhante do sexo feminino levamos um homem. Partindo do pressuposto que há Árabes maricas, como é que é feita a oferta? Em camelas? Em camelos com defeito? Ou em dromedários?

2 comentários:

Liliana disse...

No caso dos homens a oferta pode ser com burros, para variar.

DaMaSCo disse...

Eu vou um pouco mais longe.
Acredito perfeitamente que já não seja feita uma oferta genuína destas desde 1827.
É daquelas coisas, criou-se o mito que tal acontece e agora é difícil fugir ou acabar com a tradição.

Vejo os árabes de fato, de manhã, a verem a cotação das moçoilas europeias:
Suecas = 300 camelos
Francesas = 200 camelos
Portuguesas = 1000 camelos
(sou tão graxista)

E por aí fora.
Assim que estão a par dos valores do dia, vestem os seus turbantes e afins e vão para a rua, entreter os turistas.